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terça-feira, março 02, 2010

Sabe a tal paródia?


Aula de Texto Paródia
Texto inspirado: João e Maria
Por: Inaê Lara


Zeca e Lia

Em um lugar, não muito distante, diferente da cidade grande, onde não havia muita movimentação e nem muita falação. Moravam ali poucas pessoas, tinha mais bicho do que gente. Lugar de mata fechada e árvores imensas. Cenário perfeito para uma das aventuras preferidas de Lia e Zeca, dois ratinhos que amavam explorar.
Todos os dias os dois saiam à procura de novas emoções e descobertas. Mas, certa vez algo saiu errado. Enquanto brincavam sobre as pedras do riachinho que haviam acabado de encontrar, o tempo fecha e uma forte tempestade cai. Zeca se perde de Lia.
A exploração passa a ser uma missão de busca, e Zeca, valente como haveria de ser, passa o fim do dia e toda a noite a procura de sua companheira. Cansado, ele se recosta em uma pedra e acaba dormindo meio as folhagens secas.

- Olha aqui Maria, vamos por aqui!
- João, estamos indo longe demais. Já já temos que voltar e to ficando cansada...
- Ahh...Vamoss...Venha, venha Maria...


Sentindo algo cair em sua cabeça, Zeca acorda assustado.

-O que é isso? (Se pergunta olhando e já cheirando o pedaço esbranquiçado de pão que acabara de ser atirado.).


Não dando muita atenção ao ocorrido, Zeca retoma a busca por Lia. Mais tarde, já as minguas, acaba cruzando o caminho com Eleonora, uma ratazana velha e rechonchuda, que lhe acolhe em sua toca.
Enquanto falava o que tinha acontecido e comia praticamente tudo que a boa velha lhe oferecia, Zeca olha mais ao fundo, na penumbra, e se depara com Lia enjaulada. Mais que depressa corre ao seu encontro e começa a tentar abrir a jaula. Com um golpe certeiro e preciso, Eleonora acerta Zeca pelas costas, o deixando completamente inconsciente.

Saindo da toca, uma pequena fresta que por ventura se abriu no tronco de um belo e robusto pinheiro, a velha rechonchuda vai em direção a deliciosa casa de doces, que mais parecia um sonho no meio da floresta. Bate discretamente em uma pequena porta, estrategicamente colocada nos fundos da casa, fazendo sair dali uma criatura com bigodes que eram o dobro do seu tamanho.


-Conseguiu o que eu queria? Diz o enorme gato.
-Sim...Sim senhor. Vim aqui para lhe avisar. Fala a velha com voz trêmula.
-Hummm... E o rabinho? Já está gordinho?


terça-feira, junho 02, 2009

Uma crônica - Por Inaê Lara

Era ele, o meu vizinho

Edifício São Vicente
Era ali que nos encontrávamos, mas nunca estávamos juntos, respirando o mesmo ar, vendo as mesmas coisas ou sentindo, quem sabe, os mesmo cheiros.
Como era possível estarmos no mesmo lugar, porém não estar?
Separados apenas pela altura, metros, um andar, um botão no elevador e 17 degraus, sim, eu contei.
Todos os dias minha rotina era a mesma: ouvi-lo, tentar imagina-lo e senti-lo.
Seus passos eram simetricamente acompanhados por mim, ali acima da minha cabeça, dos meus móveis, dos meus quadros, do meu apanhador de sonhos pendurado na porta da sacada.
Eu sabia tudo o que ele fazia.
Na maioria das vezes ouvia som, tinha um gosto musical incomum, gostava de rock das antigas e sempre acompanhava os tais cantores em seus timbres, apesar do seu nunca ser igual.
Da mesma forma a TV. Sempre ligada e em canais também incomuns. Ah, eu já consegui distinguir 2 canais em especial.
Esses dias tentou fazer algo para comer (ele sempre pede comida fora), mas creio que não deu muito certo. Foi uma graça! Quem dera se eu pudesse...
Há cerca de 7 meses o observo, o aguardo, o imagino e o sinto tão perto, mesmo que esteja distante. Separados apenas pela altura, metros, um andar, um botão no elevador e aqueles tais 17 degraus, que, sim, eu contei.
Não agüento mais!
Às 24 horas do dia passo aflita, acordo logo cedo, ouço seu modo de levantar, ir ao banheiro, comer algo e se sentar (ele trabalha em casa como eu), as 2 horas seguintes são agonizantes, quero conversar com ele!
Hora do almoço, eu preocupada com o que fazer, ouço sua voz ao telefone pedindo o cardápio de sempre e minutos depois atende a porta, seu pedido chegara.
Come, faz a pausa para o cochilo e volta a trabalhar. Daí pra frente é tudo sempre igual: cadeira rangendo a cada empurrada para se mover, voz alta ao telefone, um pouco de som e no fim do dia de trabalho iniciasse a “hora” só dele. Eu, sua fiel platéia, já estou a postos na minha poltrona para escutá-lo.
Como eu disse, não agüento mais! É chegado o dia do passo a frente, já havia arquitetado tudo. Como seria, o que falar, o que fazer e até mesmo como reagir. Estava tudo certo.

Fui ao andar de cima, pelas escadas, fora assim que soube que se tratava de 17 degraus. Toquei sua capainha, esperei um pouco, aflita, meu coração batia acelerado, descompassado até. Eu suava, tremia um pouco, também, o que queria? Era ELE quem ia abrir a porta e me receber a poucos instantes depois daqueles 7 meses.

Fora tudo muito rápido, ele abriu, sorrimos como cumprimento, falei quem eu era e ele me convidou a entrar.
Primeira etapa cumprida! Eu estava me saindo muito bem, por sinal.
Mal entrei e confirmei o que pensava ser aquele lugar. A porta se fechou e como eu havia planejado com meses de antecedência, me virei e fiz o que estava preparada para fazer. Dei vários, vários golpes de faca naquele cretino e nojento porco asqueroso.


Todos os dias minha rotina era a mesma: ouvi-lo, tentar imagina-lo e senti-lo.
Seus passos eram simetricamente acompanhados por mim, e como não seriam? Ali acima da minha cabeça, dos meus móveis, dos meus quadros e blá blá blá. Passos insuportáveis, irritantes, parecia fazer questão de assim faze-los.

Quando o desgraçado ouvia som eu queria morrer ou simplesmente arrancar meus ouvidos e joga-los bem longe. Aquele som “incomum”, super alto, cheio de gritos e guitarras ensurdecedoras era completado pela sua voz miserável e provocadora de uma agonia terrível. Cansei de comprar tampões para meus ouvidos, colocar travesseiros em cima da cabeça. Não adiantava, não dava!
Sua TV tava mais para “24 horas de sexo constante”, nem intervalos parecia ter. Antes eu amaldiçoava as pobres TVs a cabo, agora sei que foram as malditas locadoras de DVD.
Aquele porco comia só enlatados, embutidos, engordurados, ensacolados e no tal dia lá que tentou cozinhar. Foi uma graça! Uma verdadeira DESGRAÇA.
Quem dera se eu pudesse... Hoje soube que pude e achei mais graça ainda!
7 meses sofrendo. Não agüentava mais!
Perdi meu emprego, era escritora, trabalhava em casa com minha mesa ergometricamente correta, um computador maravilho e minha caneca de chá. Estava tudo perfeito. Mas ele tinha que se mudar e estragar.
Perfeito! Agora tenho uma história ótima para meu novo livro, porém estou com dificuldades para achar um lápis, já que este está acabando... Ahh, e mais papel também! Quem me dera um computador, mesmo daquele ruimzinho de uns 10 anos atrás.
Bom, se eu me comportar bem, quem sabe?! Se até lápis e papel já consegui.
Tenho que ir, já está quase na hora das luzes se apagarem e o carcereiro já achou suspeito da última vez que tentei escrever no escuro.

P.s.: Essa minha companheira de cela da cama acima, bem que podia roncar menos, ou parar completamente.


Inaê Lara :*

Esmalte no pensamento de ser pintado:
"Carmim"

domingo, maio 31, 2009

Listras



UMAS NEGRAS
OUTRAS BRANCAS

JUNTAS
MISTURAS
ALIADAS
INTRIGUENTAS

LADO A LADO
NOJENTINHAS

ALINHADINHAS
FRESCURENTINHAS
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"- Namora comigo!" Ela disse, afirmando até.
"-..." Ele hesitou ao tentar responder.
Como se quisesse um tempo para pensar. E era realmente isso que ele queria, precisava até.
"- Namora comigo?" Ela perguntou dessa vez.
Tentando mais uma vez. Parecia querer acordá-lo de algum sonho.
"Ei estou aqui!
Me veja, me sinta, me queira e me escolha.
Eu que sempre tive meus olhos voltados apenas para você, eu que te sinto, eu que diariamente te quero e eu que escolhi apenas você." Pensava ela.
E dessa vez junto ao silêncio veio um olhar. De baixo para cima, verificando suas sandálias meio esgaçadas, passando pela sua saia jeans surrada e chegando perto de seu rosto que estava ansioso por uma resposta, uma confirmação.
"- Namora comigo." Ela simplesmente disse.
Mas dessa vez junto ao silêncio e olhando em seus olhos ele apenas teve a coragem de virar e sair.
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Eram duas listras
Uma negra e outra branca
Juntas, misturadas, aliadas, intriguentas, lado a lado, nojentinhas, alinhadinhas e frescurentinhas.
Inaê lara :*
Esmalte ainda não pintado:
"Incolor"

sábado, maio 23, 2009

Preto e Branco

Tudo ali na sala, em preto e branco se esvaece.
O sofá de vários lugares se reduz a um pensamento de uma poltrona no canto
As almofadas, antes coloridas e cheias de lantejoulas cuidadosamente escolhidas e aplicadas uma a uma, desbotaram-se.
O carpete, aquele antro de perdição, lugar de brincadeiras, com uma pequena mancha de um café derramado, algumas mordidas de um cachorro levado, agora se enche de poeira.
Poeira, esse sim, novo habitante.
Enxergo tudo preto e branco, até um canto que jamais imaginei ver assim.
Na parede um quadro.
No quadro um retrato tão puro, tão familiar e amoroso...
Porque insiste em se preencher com sépia e não com o tão visto preto e branco?
Isso tudo, agora me parece uma baboseira mentirosa, hipócrita, enganadora,
suja.
Falsa de se dizer amor, se fazer amor, se respeitar amor, se alegrar
amor.
Ignoro o sentimento, endurece o peito e amarga meus lábios que insistem
em jorrar palavras ácidas, ríspidas, asquerosas e nojentas.
Transborda dali o azedume de um coração que sofre calado, cheio de fracas forças por tentar acalentar um outro alguém e no fim por disritmia ele próprio se esvaece.

Sem dicas de esmaltes e suas cores por hoje!

Ina